França amplia vacinação infantil com regras nas escolas e mudanças no acesso às doses
14 de outubro de 2026Experiência francesa indica que facilitar a vacinação, acompanhar a caderneta das crianças e definir responsabilidades pode ajudar a elevar a cobertura vacinal; especialistas defendem medidas semelhantes no Brasil.
A França conseguiu ampliar a cobertura de diversas vacinas infantis ao combinar mudanças na legislação, acompanhamento da vacinação nas escolas e medidas para facilitar a adesão das famílias. A experiência, analisada em reportagem da BBC News Brasil publicada em 14 de outubro, mostra que o combate à desinformação é apenas uma parte do desafio para manter as crianças protegidas contra doenças preveníveis.
Em 2018, o país ampliou de três para 11 o número de vacinas obrigatórias na infância. A mudança incluiu imunizantes contra doenças como sarampo, meningite, coqueluche e hepatite B. Além disso, a comprovação da vacinação passou a ser exigida para a entrada e a permanência de crianças em creches, escolas e outras atividades coletivas infantis.
Cobertura vacinal aumentou após mudanças
Os resultados apareceram nos anos seguintes. Segundo os dados apresentados na reportagem, a cobertura da vacina contra o meningococo C passou de aproximadamente 35% em 2017 para 75% em 2018 e chegou a cerca de 89% em 2023.
A vacinação contra o sarampo também avançou na França. A primeira dose voltou a alcançar níveis próximos ou superiores a 95%, embora a cobertura da segunda dose continue sendo um ponto importante para atingir a proteção coletiva recomendada contra a doença.
Especialistas ouvidos pela BBC avaliam que a mudança não dependeu exclusivamente da obrigatoriedade. A definição de responsabilidades para acompanhar os registros e cobrar a atualização das cadernetas também ajudou a tornar a vacinação parte da rotina das famílias.
Combater a desinformação não é suficiente
A reportagem destaca que nem todas as pessoas que deixam de vacinar os filhos rejeitam os imunizantes. Parte das famílias enfrenta dificuldades para comparecer às unidades de saúde, esquece as datas ou não consegue conciliar o atendimento com o trabalho e outras responsabilidades.
Por isso, especialistas defendem medidas práticas, como ampliar horários de vacinação, levar doses a escolas e locais de grande circulação, melhorar os sistemas de registro e preparar profissionais para esclarecer dúvidas dos pacientes.
A comunicação continua sendo importante, sobretudo para enfrentar informações falsas e esclarecer preocupações legítimas. No entanto, facilitar o acesso pode ajudar pessoas que já reconhecem a importância das vacinas, mas encontram obstáculos para manter o calendário atualizado.
Brasil recupera parte da cobertura vacinal
No Brasil, a cobertura de diversas vacinas infantis caiu a partir de 2015 e sofreu novos impactos durante a pandemia de Covid-19. A reportagem cita a primeira dose da tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola: a cobertura passou de 96% em 2015 para 74% em 2021, antes de voltar a 95% em 2024.
Apesar da recuperação, especialistas apontam desafios para manter as doses em dia, especialmente as que exigem reforços. Entre as medidas defendidas estão o fortalecimento do Programa Nacional de Imunizações (PNI), a vacinação nas escolas e a melhoria dos registros digitais.
O Ministério da Saúde também destaca iniciativas para ampliar a imunização no ambiente escolar, com autorização dos responsáveis, e facilitar o acesso das famílias aos serviços.
O que a experiência francesa ensina
A experiência da França não significa que uma única medida possa ser reproduzida da mesma forma no Brasil. Os países têm estruturas de saúde e regras próprias. Ainda assim, o caso reforça a importância de combinar informação confiável, organização dos serviços, acompanhamento das cadernetas e estratégias que reduzam as dificuldades enfrentadas pelas famílias.
A vacinação infantil é obrigatória no Brasil nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente. Para ampliar a cobertura, especialistas ouvidos pela BBC defendem que o país fortaleça a busca ativa por crianças com doses atrasadas e aproxime a vacinação do cotidiano das famílias.
<sup><sub>Fonte: BBC News Brasil, em reportagem reproduzida pelo G1. Dados e declarações atribuídos à reportagem publicada em 14 de outubro de 2026.</sub></sup>



