Pré-natal, saúde mental e rede de apoio são essenciais durante a gestação e o puerpério
15 de agosto de 2026Especialistas destacam importância do acompanhamento multiprofissional e de informações baseadas em evidências para uma experiência mais segura na gravidez e após o parto
O acompanhamento da gestação e do período após o parto deve envolver mais do que consultas médicas. Especialistas das maternidades universitárias da rede HU Brasil destacam a importância de um cuidado multiprofissional, humanizado e baseado em evidências científicas, com atenção também à saúde mental e à participação da família.
A recomendação ganha destaque durante a Semana Nacional de Conscientização sobre os Cuidados com as Gestantes e as Mães, instituída pela Lei nº 15.221/2025. A mobilização busca ampliar o acesso à informação e reforçar a importância do acompanhamento pré-natal qualificado e do cuidado integral durante a gravidez e o puerpério.
Pré-natal deve começar no início da gravidez
O pré-natal é considerado uma das principais ferramentas para acompanhar a saúde da gestante e do bebê. Segundo a ginecologista e obstetra Maria da Guia, da Maternidade Escola Januário Cicco, a primeira consulta deve ocorrer preferencialmente até a 8ª semana de gestação e sempre antes da 12ª semana.
A orientação é procurar a unidade de saúde mais próxima assim que a gravidez for identificada. A presença de uma pessoa escolhida pela gestante também pode contribuir para o acompanhamento.
Dados citados na reportagem, provenientes de pesquisa da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz, apontam que cerca de 55% das gestações no Brasil não são planejadas. Para os especialistas, o cenário reforça a importância de oferecer informação e acompanhamento adequado às mulheres desde o início da gestação.
Cuidado envolve diferentes profissionais
Nas maternidades universitárias da HU Brasil, o atendimento busca integrar diferentes áreas da saúde desde o pré-natal até o período após o nascimento. O modelo contempla tanto gestações de risco habitual quanto casos de maior complexidade.
Além da assistência, as instituições também atuam nas áreas de ensino, pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico, ampliando a estrutura de atendimento especializado.
A proposta de cuidado multiprofissional também considera aspectos emocionais, familiares e sociais que podem interferir na experiência da gestação e do puerpério.
Saúde mental merece atenção
A gravidez e o período após o nascimento são acompanhados por mudanças físicas e emocionais importantes. Por isso, especialistas defendem que questões relacionadas à saúde mental façam parte da rotina do atendimento.
A médica Ana Carolina Bosch, do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG), explica que profissionais podem investigar aspectos como sono, ansiedade e humor durante as consultas. A avaliação é importante porque nem sempre a mulher manifesta espontaneamente que está enfrentando dificuldades emocionais.
Informação ajuda a combater mitos sobre o parto
Outro ponto destacado pelos especialistas é a necessidade de combater informações equivocadas sobre as diferentes formas de parto.
Entre os mitos citados estão a ideia de que a cesariana é sempre mais segura, que todo parto vaginal necessariamente envolve dor insuportável ou que uma mulher que já passou por uma cesariana obrigatoriamente precisará de outra em uma gestação futura.
Para os especialistas, o chamado parto humanizado não significa seguir um modelo único, mas garantir que a gestante receba informações adequadas sobre suas opções e possa participar das decisões relacionadas ao próprio atendimento, considerando sua condição clínica e sua história.
Rede de apoio continua importante após o parto
O cuidado não termina com o nascimento do bebê. A presença de familiares e acompanhantes pode ajudar a reduzir a ansiedade e aumentar a sensação de segurança durante a gestação, o parto e o período pós-parto.
Os especialistas também ressaltam que o apoio deve continuar depois da alta hospitalar. A divisão de tarefas, o suporte nas atividades práticas e a atenção aos sentimentos da mulher podem contribuir para um puerpério mais tranquilo.
A participação ativa da família e de pessoas próximas, portanto, é apontada como parte importante da rede de cuidado, especialmente nas primeiras semanas após o nascimento.
A orientação geral dos especialistas é que a gestante procure acompanhamento de saúde desde o início da gravidez e mantenha o contato com a equipe durante todo o pré-natal e o puerpério. O atendimento individualizado permite que necessidades específicas sejam identificadas e acompanhadas ao longo de cada etapa.



