Biblioteca às margens do Lago Tefé reúne 28 mil obras sobre a Amazônia

Biblioteca às margens do Lago Tefé reúne 28 mil obras sobre a Amazônia

18 de agosto de 2026 Off Por Redação

Acervo em Tefé (AM) preserva pesquisas, periódicos científicos e obras raras que ajudam a contar a história do conhecimento produzido sobre a região

Às margens do Lago Tefé, no Amazonas, uma biblioteca preserva parte importante da memória científica da Amazônia. A Biblioteca Henry Walter Bates, instalada no Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, reúne mais de 28 mil títulos catalogados, entre livros, periódicos, produções técnico-científicas e obras raras.

Inaugurado em 1994, o espaço se consolidou como referência para pesquisadores, estudantes e profissionais interessados em temas relacionados à Amazônia. O acervo reúne publicações sobre conservação da biodiversidade, uso sustentável dos recursos naturais, populações ribeirinhas e diversidade socioambiental, com atenção especial à região do Médio Solimões.

Acervo raro preserva história da ciência na Amazônia

Entre os destaques está a Coleção de Obras Raras, formada por exemplares publicados nos séculos XIX e XX. Entre eles estão as primeiras edições de A Narrative of Travels on the Amazon and Rio Negro, de Alfred Russel Wallace, publicada em 1853, e The Naturalist on the River Amazons, de Henry Walter Bates, lançada em 1863.

A biblioteca também preserva mais de 400 títulos de periódicos científicos e informativos, além de relatórios e outras publicações produzidas por pesquisadores que passaram pelo Instituto Mamirauá ao longo das últimas décadas.

O próprio nome do espaço é uma homenagem a Henry Walter Bates, naturalista inglês cujos estudos sobre a Amazônia serviram de referência para pesquisas desenvolvidas posteriormente na região.

Origem ligada às pesquisas de José Márcio Ayres

A formação da biblioteca está diretamente relacionada ao trabalho do cientista José Márcio Ayres, idealizador da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá.

Na década de 1980, Ayres se estabeleceu na região para estudar o uacari-branco e reuniu um acervo bibliográfico voltado às pesquisas amazônicas. Com a estruturação do Projeto Mamirauá, no início dos anos 1990, parte desse material foi disponibilizada para formar a biblioteca, inaugurada em 1994. Posteriormente, outros pesquisadores contribuíram com doações de livros, relatórios e publicações científicas.

Referência para o Médio Solimões

A localização da biblioteca também amplia sua importância. Inserida em uma região cercada por áreas protegidas, ela é apontada como a única biblioteca com conteúdo científico em um raio superior a 500 quilômetros.

Além da produção acadêmica, o acervo reúne obras de autores da região Norte que contribuíram para a compreensão histórica, cultural e científica da Amazônia. Entre os títulos estão Memórias de Mamirauá, de Edna Ferreira Alencar; Mamirauá, de Thiago de Mello; e A Formação Histórica do Território Tefeense, de Kristian Oliveira de Queiroz.

Mais de três décadas depois de sua criação, a Biblioteca Henry Walter Bates mantém uma função que vai além da preservação de livros: reúne registros que ajudam a documentar a transformação da Amazônia e o conhecimento acumulado sobre seus ecossistemas, territórios e populações.

Fonte: Agência Gov/Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.