Brasil registra menor número de casos de malária em quase 50 anos

Brasil registra menor número de casos de malária em quase 50 anos

18 de agosto de 2026 Off Por Redação

País teve 118 mil casos em 2025, menor número desde 1978; mortes caíram de 56 para 39 após ampliação do tratamento e uso da tafenoquina

O Brasil registrou, em 2025, o menor número de casos de malária em quase cinco décadas. Foram 118.037 casos contraídos no território nacional, uma redução de 15% em relação ao ano anterior e o menor resultado desde 1978.

No mesmo período, o número de mortes caiu de 56, em 2024, para 39 em 2025, enquanto os casos da forma mais grave da doença tiveram redução de 30,7%. Os dados foram apresentados pelo Ministério da Saúde nesta segunda-feira (17), durante o 61º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, em Brasília.

Tafenoquina amplia opções de tratamento

Entre as medidas apontadas pelo Ministério da Saúde está a incorporação da tafenoquina ao Sistema Único de Saúde (SUS). O medicamento passou a ser oferecido em 2024 para prevenir novas manifestações da malária.

Administrada em dose única, a tafenoquina atua sobre a forma do parasita que permanece no fígado e pode provocar novas manifestações da doença. Até junho de 2026, mais de 33,7 mil pessoas haviam recebido o tratamento no país.

Do total, 3.920 tratamentos foram registrados em Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs). A estratégia é considerada especialmente relevante para comunidades de difícil acesso, onde a continuidade do tratamento pode representar um desafio.

Medicamento também está disponível para crianças

Desde março de 2026, o SUS passou a disponibilizar uma formulação pediátrica da tafenoquina para crianças a partir de 2 anos de idade e com peso mínimo de 10 quilos.

Até junho, 1.446 crianças e adolescentes haviam recebido o medicamento. A formulação pediátrica estava disponível em 54 municípios e 17 DSEIs, com mais de 2,4 mil profissionais de saúde capacitados para sua utilização.

Queda expressiva entre os Yanomami

Um dos resultados mais expressivos foi registrado no DSEI Yanomami. Entre março e junho de 2026, as recaídas de malária caíram 61,9% em comparação com o mesmo período de 2025.

Já entre janeiro e julho deste ano, os casos da doença recuaram 55%, passando de aproximadamente 17 mil para 7,6 mil registros. Ao todo, 1.515 pessoas receberam tratamento com tafenoquina no território atendido pelo distrito.

Meta é reduzir a malária como problema de saúde pública

Os resultados fazem parte das ações do programa Brasil Saudável, estratégia federal que reúne diferentes órgãos para eliminar ou reduzir doenças e infecções consideradas problemas de saúde pública até 2030.

A malária está entre as doenças contempladas pelo programa, que também inclui enfermidades como tuberculose, hanseníase, doença de Chagas, esquistossomose e hepatites virais.

A redução registrada nos últimos anos combina, segundo o Ministério da Saúde, a oferta da tafenoquina com a ampliação do diagnóstico, dos testes e do tratamento adequado. O avanço, porém, mantém a necessidade de vigilância e de atendimento contínuo, especialmente nas áreas da Amazônia onde a transmissão permanece concentrada.

Fonte: Agência Gov/Ministério da Saúde.