Genérico de injeção contra HIV pode custar US$ 40 por ano em 120 países

Genérico de injeção contra HIV pode custar US$ 40 por ano em 120 países

3 de novembro de 2026 Off Por Redação

Versão do lenacapavir aprovada provisoriamente nos Estados Unidos pode ampliar o acesso à prevenção do HIV; Brasil não está entre os países contemplados pelo acordo de licenciamento.

A agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos (FDA) concedeu, na segunda-feira (2), aprovação provisória à primeira versão genérica do lenacapavir, medicamento injetável utilizado para prevenir a infecção pelo HIV. Desenvolvido pela farmacêutica indiana Dr. Reddy’s Laboratories, o produto poderá custar cerca de US$ 40 por pessoa ao ano nos 120 países de baixa e média renda contemplados pelo acordo internacional.

O medicamento se destaca pela duração do efeito: são necessárias apenas duas aplicações por ano, em vez do uso diário de comprimidos preventivos. A aprovação representa um avanço para ampliar o acesso à profilaxia pré-exposição (PrEP), estratégia destinada a pessoas que não vivem com HIV, mas podem estar expostas ao vírus.

Segundo organizações internacionais envolvidas no projeto, os primeiros fornecimentos do genérico podem começar até o fim de 2026, enquanto uma distribuição mais ampla está prevista para 2027. A chegada aos diferentes países dependerá das autorizações regulatórias e da disponibilidade de recursos para a compra e distribuição das doses.

Medicamento oferece proteção com duas aplicações anuais

O lenacapavir atua sobre o capsídeo do HIV, estrutura que envolve o material genético do vírus e desempenha funções essenciais para sua replicação. Ao interferir nesse mecanismo, o medicamento ajuda a impedir que a infecção se estabeleça.

Estudos clínicos apontaram resultados expressivos. Em um dos ensaios, não foram registradas infecções entre as mulheres cisgênero que receberam o medicamento. Em outro, realizado com homens cisgênero e pessoas de gênero diverso, o lenacapavir reduziu em 96% a incidência de HIV em comparação com a taxa esperada sem a intervenção e apresentou eficácia 89% superior à da PrEP oral diária.

A aplicação semestral pode facilitar a adesão à prevenção para pessoas que enfrentam dificuldades para tomar comprimidos todos os dias. Ainda assim, o tratamento exige acompanhamento de profissionais de saúde e testes para HIV antes do início e de cada aplicação, pois o uso por pessoas com infecção não diagnosticada pode favorecer o desenvolvimento de resistência ao medicamento.

Genérico não poderá ser vendido inicialmente nos Estados Unidos

Apesar de a autorização ter sido concedida pela FDA, a aprovação é provisória. A versão original do lenacapavir, comercializada nos Estados Unidos com o nome Yeztugo, permanece protegida por patente, o que impede a venda do genérico no mercado americano neste momento.

O objetivo da estratégia é acelerar a disponibilização do medicamento em países contemplados pelas licenças voluntárias concedidas pela fabricante original, a Gilead Sciences. O acordo envolve seis empresas farmacêuticas, mas a Dr. Reddy’s é a primeira a receber essa aprovação provisória da FDA.

O preço estimado de US$ 40 por pessoa ao ano foi estabelecido para os países abrangidos pelo acordo internacional. Nos Estados Unidos, o preço de tabela do medicamento original chega a aproximadamente US$ 28,2 mil por ano, antes de eventuais descontos.

Brasil ainda depende de etapas para ampliar o acesso

O Brasil não está entre os 120 países contemplados pelo acordo de licenciamento para a produção e distribuição dessa versão genérica. Isso significa que a aprovação americana, por si só, não garante a chegada do produto ao país nem sua oferta pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Em janeiro de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso do medicamento original, Sunlenca, para a prevenção do HIV-1 em adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 quilos e sob risco de infecção. A autorização sanitária, entretanto, não equivale à incorporação ao SUS: a disponibilização na rede pública depende de avaliação de incorporação e decisão do Ministério da Saúde.

O avanço do genérico poderá reduzir uma das principais barreiras à expansão da PrEP injetável em países contemplados pelo acordo. Para que esse benefício alcance a população, porém, será necessário concluir as etapas regulatórias, assegurar financiamento e organizar a distribuição do medicamento nos serviços de saúde.

<sup><sub>Fonte: G1, Reuters e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Informações atualizadas em 3 de novembro de 2026.</sub></sup>