SUS reforça preparação para impactos do El Niño em todo o Brasil
1 de setembro de 2026Ministério da Saúde reúne gestores estaduais para elaborar planos de resposta e antecipar riscos à população
O Sistema Único de Saúde (SUS) está reforçando a preparação para os possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre a saúde da população brasileira. Nesta terça-feira (1º), o Ministério da Saúde reuniu gestores dos 26 estados e do Distrito Federal para avançar na elaboração dos Planos Estaduais de Enfrentamento ao El Niño.
A iniciativa faz parte de uma estratégia nacional para identificar antecipadamente os principais riscos de cada região e preparar os serviços de saúde para responder a possíveis eventos climáticos extremos. O encontro é o segundo realizado em âmbito nacional neste ano e dá continuidade ao trabalho iniciado em junho, quando estados participaram de reuniões regionais para avaliação de riscos e construção de cenários.
Preparação considera diferenças entre as regiões
O El Niño pode provocar alterações importantes no padrão de chuvas e temperaturas no Brasil. De acordo com o Plano Setorial de Saúde do Ministério da Saúde, o fenômeno tende a elevar temperaturas e reduzir chuvas em áreas do Norte e Nordeste, favorecendo estiagens, incêndios e piora da qualidade do ar. Ao mesmo tempo, pode aumentar a ocorrência de chuvas no Sul e no Sudeste, elevando riscos de enchentes, inundações e deslizamentos.
Por causa dessas diferenças, os planos de enfrentamento serão adaptados às características e vulnerabilidades de cada território.
A preparação também considera que eventos climáticos extremos podem afetar diretamente o funcionamento dos serviços de saúde, além de aumentar a exposição da população a problemas relacionados à qualidade da água, doenças transmitidas por mosquitos, poluição atmosférica e outros agravos.
Monitoramento ajuda a antecipar problemas
O Ministério da Saúde utiliza ferramentas para acompanhar as condições ambientais e os possíveis reflexos sobre a saúde. Entre elas estão o Painel Nacional de Excesso de Calor, o VigiAR e o GeoRisk.
Também estão sendo implantados Centros de Informação em Saúde e Clima (CISCs) em oito cidades das cinco regiões do país. Essas estruturas integram informações climáticas, epidemiológicas, demográficas e socioeconômicas para identificar áreas mais vulneráveis e apoiar a tomada de decisões.
A estratégia inclui ainda a integração de sistemas de vigilância, como e-SUS Notifica, Sivep-Gripe e Sinan, permitindo identificar mais rapidamente alterações nos indicadores de saúde e possíveis surtos.
Força Nacional do SUS poderá ser acionada
A preparação nacional também prevê o fortalecimento da capacidade de resposta emergencial. A Força Nacional do SUS (FN-SUS) conta com bases regionais capazes de deslocar equipes em até 48 horas, conforme a necessidade identificada.
O Ministério da Saúde também trabalha com a previsão de recursos e kits emergenciais de assistência farmacêutica, além da organização de serviços e protocolos de atendimento de acordo com as características de cada bioma.
Na Amazônia, por exemplo, o planejamento leva em consideração as dificuldades de acesso a determinadas comunidades e a necessidade de manter estruturas como equipes de saúde e Unidades Básicas de Saúde Fluviais em condições de atendimento.
Prevenção também envolve doenças transmitidas por mosquitos
Entre os pontos de atenção estão as arboviroses, como dengue, chikungunya e outras doenças transmitidas por mosquitos. As condições climáticas podem alterar a dinâmica desses vetores e aumentar determinados riscos em diferentes regiões.
Por isso, o Ministério da Saúde orienta que os estados considerem as características locais na elaboração dos planos de resposta, evitando uma estratégia única para todo o território nacional.
Além das ações emergenciais, o governo federal mantém o AdaptaSUS, plano de adaptação do setor saúde às mudanças climáticas, que estabelece 27 metas e 93 ações com horizonte até 2035.
A estratégia representa uma mudança de foco na gestão de emergências climáticas: em vez de atuar somente depois que desastres acontecem, o sistema de saúde busca utilizar informações climáticas e epidemiológicas para antecipar riscos, preparar estruturas e reduzir os impactos sobre a população.




